Amanhã, Ninguém Sabe

28.3.06

Todos a "Bombordo"!...

Ia dar o link de qualquer maneira porque o Bombordo, vocês me desculpem, é o fino do fino da blogsfera brasileira. Mas o texto da Cristina Nóvea não me deixou esperar mais não. Vocês tem que ler tudo prá acreditar. Com a palavra, Cristina Nóvae:

Foi por isso que, quando procurávamos um nome para este blog, sugeri Bombordo. Que, em linguagem náutica, significa o “lado bom”, o bordo do coração, ou seja: a esquerda. Mas somente para quem estiver posicionado no sentido popa-proa da embarcação, olhando para a frente, na direção do progresso.

Então, quando me perguntam, hoje em dia, qual minha orientação política, eu, que não sou jurássica nem nada, não caio nessa esparrela de direita/esquerda. Olho para o futuro, levo a mão ao peito e respondo de pronto: sou do Bombordo!

Somos todos, Cristina! Evoé Baco!...

Olha, falar de Cuba mexe com as emoções de todo mundo, as minhas mais do que ninguém. Mas a Cristina fez um belo serviço nesse post que não veio dar respostas fáceis mas sim gerar reflexões. Dos comentários da Cristina:

Eu sou contra toda e qualquer ditadura, mas tem uma frase do Borges (que, aliás, era de direita) que sempre me fez pensar: "antes a boa ditadura que a má democracia". Discordo totalmente, do ponto de vista ideológico, mas tenho que admitir que o pragmatismo que ela encerra tem sua validade: se um governo melhora as condições de vida do povo, ideologias à parte, devemos aplaudir suas boas obras.
É isto que me faz admirar os avanços socias de Cuba, apesar de ser contra a tirania castrista. É por isso que não gosto de discutir Cuba, porque não é o tipo de governo que eu defenderia, mas também não condenaria totalmente, à vista de algumas de suas realizações, principalmente na área da educação, que considero um modelo para o mundo.

Não só bem-pensante e com o coração no lugar certo, a moça é bem-humorada. Olha como ela manda bem:

Bia, tá bom, confesso: eu gosto é da dita dura! - com trocadilho, por gentileza :>))

Agora faz um favor prá você mesmo e vai ler a Cristina, vai!!!

Profissão Mulher

Este mês Elis teria feito 61 anos.

61 anos. Dá pra acreditar?

Aquele rosto de eterna menina? Aquele sorriso lindo de eterna aprendiz mambembe do canto das estrelas?

Nunca! Se fosse viva, teria a mesma cara de moleca, de Santa Joana das ruas de Ipanema, a cantar descalça a volta do irmão do Henfil.

Elis, os ouvidos dos que sobreviveram choram por ti, qual olhos, só que um de cada lado da cabeça! Elis, cantora e musa a um só tempo: aqui na Terra ouvimos ainda teus discos e teus soluços! Suspiramos do Brasil até ti, que onde estiveres refletes de volta, em teu sorriso, a forma mesmo do Brasil menino.

brilha uma estrela, sempre

A estrela ainda brilha, companheiros.

Não é pq o nosso presidente está lá achincalhado pela elite e pela Veja que ele há de dar o braço a torcer.

Não é pq ele escolheu pessoas ruins e pouco preparadas para o trabalho que se dispõe a fazer.

Não é por nada disso que vamos nos deixar abater.

Porque o sonho vive, o sonho perdura, o sonho de um Brasil justo para cada menino de rua e cada menina prostituída continuará! E não há nada que a rede Globo, a Veja ou o Diogo Mainard possa fazer a respeito. É a voz do povo, minha gente!!!! A voz do povo é a voz de Deus!!!!!!

Eu sonho pela Marininha e pelo meu filho Miguelito. Eles merecem um Brasil justo, sem ladrões como o Maluf!

E o que tem a deputada dançar pela absolvição do colega??? Por que fazem tanto alarde????

Ela tinha alegria no peito, alegria pelo amigo não estar sendo capturado nessa palhaçada demagógica da elite que quer pq quer derrubar o Brasil, o povo, que há mais de uma década tenta chegar ao poder.

25.9.05

Filósofo da USP apóia Chaui e diz que mídia não admite diferença

Matéria da Folha Online - precisa ser assinante, mas titio Iberê vai colar a matéria toda pra vocês.

Filósofo da USP apóia Chaui e diz que mídia não admite diferença PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

O professor de filosofia da USP (Universidade de São Paulo) Renato Janine Ribeiro seguiu a colega Marilena Chaui e criticou a atuação da mídia na cobertura do escândalo do "mensalão". Janine disse que ela tem um discurso público que é "todinho feito por moral" e que "não admite diferença". "Se diverge, você é exposto à execração imediatamente."
Janine exemplificou sua tese recorrendo à própria Chaui e ao cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, o primeiro intelectual a apontar em artigos um suposto "golpe branco", do qual seria vítima o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Chaui, por sua vez, em duas falas públicas recentes e numa carta dirigida a seus alunos da USP, defendeu o presidente Lula e criticou a mídia, acusando-a genericamente de "construir" o seu silêncio a respeito da crise.
"É claro, as pessoas se exaltam. Wanderley Guilherme escreve de maneira exaltada. Agora, o que é dito dele, o que é dito da Marilena na imprensa nesses tempos é absolutamente inaceitável, é desrespeitoso", afirmou Janine Ribeiro.
As declarações foram feitas em palestra sobre "O Cientista e o Intelectual", na sexta-feira à noite, na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que faz parte do ciclo "O Silêncio dos Intelectuais", que começou em agosto.
Janine Ribeiro criticou a Folha por ter publicado a carta de Chaui. Ele se declarou "pasmo" com a sua divulgação e defendeu que a carta era "privada, por mais que circule". Faltou pedir autorização à autora, disse.
"Não há o que dizer, não há mais o que dizer, em absoluto. Quando um texto, que é uma carta, que é algo que pertence à pessoa, é expropriada dessa maneira, não há mais ética alguma nesse horizonte", disse Janine Ribeiro.
O palestrante também defendeu a necessidade de o país meditar sobre a atual crise, "sem defender o indefensável", mas também sem repetir os erros no curso da crise política que levou ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Para ele, o país não tirou boas lições daquele episódio.
"Ficou a convicção de que o presidente Collor foi afastado por ter faltado com a ética. Não foi. Ele foi afastado na verdade porque a política econômica dele não deu certo, porque não tinha apoio e sustentação política", disse.
Ele afirmou que não está, com isso, defendendo os que apoiaram Collor: "Estou apenas fazendo um balanço um pouco triste. A sociedade brasileira não se mostrou tão ética assim. Não foi um corte na história do Brasil. Foi um corte no sentido de que afastamos dentro da lei. Mas na verdade o discurso ético se construiu. E aí se reforçou uma coisa muito negativa no Brasil: todo o nosso juízo sobre a coisa pública passa pela moral".
Ele citou alguns exemplos dessa distorção: "Um governante pode ser uma calamidade. A acusação a ele vai dizer que ele é indecente. Um governante pode fazer um erro de análise terrível e causar um desastre ao país, mas não ter colocado um centavo no bolso. Vão dizer: "Ah, o nosso dinheiro foi roubado, ele é um ladrão etc.'"

Silêncio
Janine disse que há silêncio de alguns intelectuais. Mas avaliou que a esquerda está "falando bastante". Disse que ela pode estar com muitas dúvidas, mas isso é bom. "Acho um momento extremamente precioso para nós, porque é um momento de discussão e de colocar a limpo um monte de coisas que ficaram durante muito tempo guardadas, diante de vergonha de fazer determinada colocação, que poderia parecer reacionária." Janine defendeu a legitimidade de quem se mantém em silêncio no primeiro momento.

17.9.05

Patrulha, sim

É mister patrulhar ("patrulha", sim - não tenhamos vergonha de dizê-lo), como gente corajosa como o SsoB e a Leila incansavelmente fazem, esta nossa blogoseira tupiniquim até que nenhum direiteca tenha a coragem de se referir ao pulha "vilósofo" do JB. Falou no cara, vai ter que agüentar na caixa de comentário. Não tem outro jeito de lidar com esse grupinho insignificante e repulsivo. Tudo, menos a indiferença ou o silêncio. Parabéns à Leila e ao Ssob, pela paciência de Jó.

2.8.05

Faltou dizer...

Esses conceitos de povo do sol e povo do gelo não fui eu que inventei: são do Dr. Leonard Jeffries, chefe do Departamento de Estudos Afro-Americanos da City University of New York. Mais importante ainda: não quero cair numa idéia racista, pelo contrário: quero só lembrar as circunstâncias históricas, sempre acreditando que o passado explica o presente e esperando que talvez um dia aconteça como aconteceu com Roma, que de tanto conquistar e invadir terminou invadida... e que, assim, os povos do sol, que são os latinos, árabes, africanos, asiáticos, um dia entrem no "coração" do império anglo-saxão para ajudar a construir um império novo de democracia real.

Inglaterra de hoje, Inglaterra de sempre

Quis deixar a poeira descer um pouco e as coisas se acalmarem, principalmente eu mesmo, porque com a morte daquele menino em Londres fiquei realmente chocado antes mesmo de saber que era brasileiro. Simplemente pegaram o rapaz e deram tiro na cabeça com ele já rendido, coisa de psicopata mesmo. Depois que eu vi o que é que ele tinha de mais, ou seja, justamente ser brasileiro, pude compreender como foram as coisas. É disso que eu queria falar. Vai ser um post meio comprido, mas vamos lá... o problema é velho, porém importantíssimo.

Aquele menino Jean estava ilegal na Inglaterra, tinha um carimbo falso no passaporte, e por isso é que fugiu da polícia terrorista, que pensou (ou disse que pensou) que ele podia ser um terrorista. Deu no jornal que cada vez mais brasileiros vão para a Inglaterra, ilegalmente mesmo, já que por aqui a coisa não está fácil. Da riqueza que o G8 tira da gente do Terceiro Mundo (ou melhor, do submundo) o que sobra é isso, um passaporte para a gente viajar para lá com dificuldade, viver comendo das migalhas que eles deixam cair, e tomando cuidado para não tomar uma vassourada, um chega-para-lá que qualquer um dá em cachorro que fica embaixo da mesa. Foi isso que o Jean levou, uma vassourada... que bom seria! Vassourada humilha mas não mata!

Como é que a Inglaterra ficou tão rica, que até as migalhas que ela deixa cair da mesa vale a pena alguém lamber do chão como o brasileiro pobre vai fazer lá? Isso todo mundo sabe porque ensinam a gente na escola (ainda, felizmente!): foi um grande império capitalista, teve colônias em todos os continentes, roubou povos de todas as cores, até botou piratas no mar para roubar melhor que os outros. Chegou a ficar orgulhosa pois o sol nunca se punha no império inglês: sempre algum colono infeliz estava trabalhando duro para enriquecer a aquela metópole a qualquer momento do dia, em algum continente. Aí é que a gente entra no meu assunto de verdade: com o seu império mundial a Inglaterra "conquistou o sol", quer dizer, conquistou gente de todos os povos do sol... pois ela é feita de gente do gelo. Senão, vejamos: a Inglaterra era habitada pelos bretões, que foram expulsos de lá pelos anglos e saxões. Na mesma época em que os bárbaros atacaram o império Romano, esses dois povos de origem germânica vieram do norte da Alemanha e dominaram aquilo que hoje chamamos de "Inglaterra". A palavra significa "terra dos Anglos" mas a terra não era dos anglos: a Inglaterra nasceu como país dominado, invadido, saqueado por esse povo do norte.

Daí é que podemos compreender, com essa informação histórica, a Inglaterra de hoje: a cultura dela vem de um povo conquistador vindo do frio, desacostumado da alegria que se encontra nos países que ela depois iria a invadir com seu capitalismo. Sabendo isso é que a gente vê que não foi só por causa da invasão dos franceses normandos que a Inglaterra sempre esteve em conflito com a França: como é que um povo assim poderia compreender o país que divulgou a idéia de "alegria de viver", a "joie de vivre", e que fez a Revolução contra os nobres?? Não é à toa que o individualismo e portanto o capitalismo ficaram fortes por lá.

Voltando ao nosso problema inicial, eu acredito que é por isso que o Jean foi baleado. Vocês viram a foto dele: moreno como os brasileiros em geral, como os árabes, os africanos, como os paquistaneses... moreno como tudo aquilo que a Inglaterra, herdeira do gelo dos bárbaros medievais, sempre tentou conquistar porque não consegue compreender. Foi acima de tudo por isso que ele foi morto a sangue-frio. Desde os anglos e saxões, matadores impiedosos, passando pelas colônias do capitalismo monopolista, a Inglaterra não mudou.

27.7.05

Causa justa não é justa causa

Olha, gente, eu achei importante transcrever aqui a mensagem da ABONG, que vem militando pela verdadeira democracia e contra a sujeira das elites. Se o companheiro Lula se deixou cercar por gente mau intencionada, é hora de mobilizar todas as organizações não-governamentais e todas as pessoas que amam o Brasil de verdade e querem-no ver crescer, não importa se de centro, de centro-esquerda ou de esquerda.

Veja bem o recado dos companheiros e companheiras da ABONG:

"De olho nas eleições de 2006, as elites iniciaram, através dos meios de comunicação uma campanha para desmoralizar o governo e o Presidente Lula, visando enfraquecê-lo, para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar a atual política econômica e as reformas neoliberais, atendendo aos interesses do capital internacional.
Preocupados com o processo democrático e também com as denúncias de corrupção que deixaram o povo perplexo, vimos à publico dizer que somos contra qualquer tentativa de desestabilização do governo legitimamente eleito, patrocinada pelos setores conservadores e antidemocráticos".

E especial atenção aos pontos

"2- Excluir do governo federal setores conservadores que querem apenas manter privilégios, afastar autoridades sobre as quais paira qualquer suspeição e recompor sua base de apoio, reconstruindo uma nova maioria política e social em torno de uma plataforma anti-neoliberal."

e

"7- Enfrentar o monopólio dos meios de comunicação, garantindo sua democratização, inclusive através do fortalecimento das redes públicas e comunitárias."

Os companheiros encerram com sabedoria e força: "Neste momento de mobilização, conclamamos as forças democráticas e populares a se mobilizarem para realizar manifestações de rua e protestos, e trabalhar para promover as verdadeiras mudanças que o país e o povo precisa."

Eu não poderia concordar mais: investigação sim, aventureirismo não, violão. Quero um Brasil mais justo prá Mariana e pro Miguel.

26.7.05

O futuro está aí

Gente, hoje tô péssimo, muito mal mesmo. Eu estava passeando com o Miguel na rua, bem contente, bem a toa, vendo se o tempo vai ficar assim mesmo mais uns dias, conversando com ele enfim, vivendo essa coisa legal de ser pai, daí encontrei o Filipe. Não, espera aí, foi ele que me encontrou, porque demorei um pouquinho prá reconhecer. "Daí, professor, beleza?" ele falou. O Filipe foi aluno meu faz muuuito tempo, juro que tinha até esquecido, mas quando ele falou esse "beleza" com o jeito dele eu vi quem era. Eu gostava muito do Filipe quando era meu aluno (tá, ainda gosto, essas coisas passam mas também ficam, né?) porque além dele ser muito cheio de vida, de sorriso, gostava muito de história, mais até do que de educação física rs que ele adorava também, jogava futebol, basquete, tudo. Mas então, o Filipe me reconheceu, falou da vida dele, que estava estudando para tentar mestrado em biologia, e comentou que tinha achado por acaso num sebo um livro de História que graças a Deus eu esqueci o nome, que ele tinha gostado, que "explicava" que o feudalismo apareceu porque o povo precisava de proteção por causa dos muçulmanos invadindo a Europa e os dinamarqueses e não sei o que mais.

Eu fiquei bobo sem saber o que dizer, mesmo . Um menino esperto como ele era, engolindo essa história, uma desculpa para tanta dominação que só a mesmo Revolução Francesa derrubou? Ah não não não não! Daí eu disse que não era bem assim, falei do trabalho do povo no campo sofrendo para sustentar os "nobres" (como hoje!) aquela coisa da Igreja do lado dos ricos (isso eu pensei que ia mudar, mas com esse papa da intolerância agora....) Ele ficou quieto, bem sério, meio sem saber o que dizer, falou que sabia disso tudo, só que quando leu aquilo achou que tinha um outro lado que ele não sabia!!! Aí a gente conversou mais umas coisas e cada um foi prá um lado diferente, que a vida é assim.

Olha gente, se vai ser fácil assim prá elite convencer a juventude que esses abusos acontecem desse jeito, que tem "um outro lado" prá explicar tudo, toda a miséria, a fome, a guerra, daí mesmo é que o Bush vai ganhar todas as eleições. Capaz até de botar o filho dele presidente, mais um Bush imaginam???

Bom, deixa prá lá, eu vou é aproveitar que os meus filhos eu não vou deixar acontecer isso não, nem se eu puder os meus alunos. Cada um fazendo a sua parte, a gente ainda vai educar as crianças para mudar esse mundo...

21.7.05

Ê, rapaz

É duro, viu? Às vezes a vida te pega, vem de turbilhão - é enchente te puxando as calças, te levando pelado pelas ruas cheias de ratos. A vida te arrasta, te passa rasteira, te joga no muro com a cara cheia de esperança. Dias passados na correria, no vamos-que-vamos, no ritmo sufocante e sufocado dum povo que ri trabalhando e trabalha rindo, que chora esperando e espera chorando... Dias passados no amplexo sufocante da vida, no mata-leão da vida, prestes a desmaiar de cansaço, de desespero, de tesão. E toca a correr, correr, correr. Quem fica parado é poste.

11.7.05

Até quando?

É de vomitar ver o modo com que a direita cada vez mais cara-de-pau dos blogues tupiniquins "interpretou" os acontecimentos de Londres ("somos todos londrinos agora", disse bem, Mestre Idelber). Como se cada morto não tivesse um grande W nas costas, de George Walker Bush, o filhote. Como se eles se importassem, com suas lágrimas de crocodilo. De suas calçadas sangrentas, London London grita: "nunca mais!"

Mas mais uma vez os americanófilos de plantão se revelam... Com total irracionalidade apoiam os atos de um debilóide que se acha dono do mundo, sem se dar conta da própria ignorância. Nem imaginam quem possa estar puxando as cordinhas desse estúpido fantoche nos bastidores. E se julgam no direito de atacar, do alto da sua sabedoria esdrúxula e em nome de deus (sic), bradando aleluia aos quatro cantos do mundo, qualquer um que ouse questionar suas convicções. É o exemplo que o demente incute em seu séquito, que de tão cego não enxerga um palmo na frente do nariz. O que fizeram em Hiroshima e Nagasaki está aí prá quem quiser ver. Mas os terroristas são sempre os OUTROS. O mais triste disso tudo é ver cidadãos brasileiros vestindo essa casaca.

Triste, sim - triste de ver esse espetáculo de uma blogoseira entregue a blogues entreguistas, de palavreado oco e bonitinho, de conteúdo nulo e cheio de preconceito (pré-conceito). Em momentos sombrios como esse que se abateu sobre vítimas inocentes em Londres, e que vai com certeza se abater em breve sobre muçulmanos que não tem nada a ver com a história, a única coisa que pode dar esperança é o pensamento absurdamente crítico de gente como Mestre Rafael Galvão, Mestre Idelber, Smart Shade of Blue, e demais "cumparsas" da minha lista de links.

8.7.05

após os comerciais

Sei que andei afastado (perfídias, perfídias...), mas andei corrijindo provas. Logo logo volto, e aí ai de vocês. E vamo nós!

Falou pouco e disse muito.

Mestresmart matando a pau, como de costumbre =)

1.7.05

O Velório dos Nossos Sonhos

(para a Jana, Valquíria de todos os meus sonhos - Mãe, Mulher e Menina)



Nos meus sonhos cai chuva e granizo
Apagando a memória do teu rosto de anjo...
Acabrunhado sento, acabrunhado lamento
E choro os meninos que nós dois éramos...

Esses meninos morreram!
Esses meninos já não existem mais.

Comparecemos nós dois ao funeral dos nossos sonhos,
Tu de preto qual anjo do mal.
Comparecemos nós dois ao velório dos astros,
Na mais longa noite outonal.

Quero voltar ao que antes éramos,
Quero descansar a minha cabeça cansada no teu regaço!
Eu quero a paz dos teus olhos de fada
Inundando o meu coração de menino...

(Nota: poema REGISTRADO na Fundação Biblioteca Nacional. Não copie!!! Crie!!!)

30.6.05

Eu fico com a pureza da resposta das crianças

O Miguel, meu filho maiorzinho, adora ver o Lula na televisão. Dá gosto de ver como ele fica contente, bate palminha, agita as mãozinhas e diz "é o Lula, papai, olha o Lula na tevê!!!". Vou dizer uma coisa prá vocês, meus amigos: criança não se engana. De verdade. Só criança é que tem essa coisa mágica, bonita mesmo, de olhar para o coração das pessoas e enxergar direitinho o que tem lá dentro, sem a falsidade que depois a sociedade vai incutir nela. Eu confio no meu Miguelzinho, filhão querido, e é por isso que eu digo: Lula, você é bom. No fundo, você é povo que nem nós, que curte uma cervejinha, uma feijoada, um futiba com os amigos. Pessoa que chora, se emociona, que veio do Brasil profundo e sofreu muito prá chegar onde está. Tão bom que não presta atenção na gente ruim que está em volta, gente como esse Roberto Jefferson, esses banqueiros, esse pessoal do FMI e do Consenso de Washington (nossa, chega a me dar engulho escrever esses nomes). Não foi prá isso que a gente te elegeu, Lula! Sai dessa, volta pros braços do povo que te espera. Faz esse povo cantar a canção que o Gonzaguinha -puxa vida, que saudade desse cara- ensinou: é a vida, é bonita e é bonita.

29.6.05

Mesma velha história

Muito boa a matéria da Folha do domingo passado analisando a crescente desigualdade social nos Estados Unidos. A matéria toda pode ser lida aqui, mas vou postar um trechinho prá vocês terem uma idéia do tamanho do buraco:

Nós, os privilegiados

Crescente disparidade na participação de ricos e pobres na política aponta para "retrocesso" democrático nos EUA

FABIANO MAISONNAVE
DA REDAÇÃO

Enquanto o presidente George W. Bush fala em espalhar a democracia ao redor do globo, uma força-tarefa criada pelo Associação Americana de Ciência Política chegou a conclusões sombrias sobre o impacto da crescente disparidade entre ricos e pobres no sistema democrático da maior potência mundial. O resultado, diz o relatório assinado por 15 intelectuais de importantes universidades norte-americanas, é que o grau de participação e visibilidade na vida política do país depende cada vez mais do poder econômico.
"O progresso em direção à realização dos ideais da democracia norte-americana pode ter parado, e, em alguns temas, retrocedido", diz o estudo "Democracia Americana numa Era de Crescente Desigualdade".
O relatório sugere várias evidências do efeito da desigualdade social nas práticas democráticas. Por exemplo, mostra que 90% das famílias com renda acima de US$ 75 mil votam em eleições presidenciais, mas o percentual cai para 50% entre as famílias cuja renda anual está abaixo de US$ 15 mil.


O progresso em direção à realização dos ideais da democracia norte-americana pode ter parado, e, em alguns temas, retrocedido


Outro indício são as filiações a organizações políticas não-governamentais. Enquanto o número de trabalhadores sindicalizados caiu pela metade desde o início dos anos 1970 para apenas 13,5% da força de trabalho, os "grupos de interesse", a maioria sediados em Washington, se multiplicaram. Atualmente, quase 75% dos mais ricos têm alguma filiação a ONGs; entre os mais pobres, o índice é de 29%.
A seguir, trechos da entrevista à Folha da cientista política da Universidade Harvard Theda Skocpol, idealizadora da força-tarefa, cujos trabalhos foram iniciados em 2003 e concluídos no início deste ano.

Folha - Em que pontos da democracia norte-americana a crescente desigualdade social tem tido maior impacto?
Theda Skocpol -
Nós analisamos diversos aspectos. Examinamos a participação política e a ação do governo. Na área de participação política, durante as últimas várias décadas, nas quais o dinheiro se tornou muito mais importante na política e para organizar a vida civil, a desigualdade de renda também cresceu. Os muito ricos, capazes de doar grandes quantias de dinheiro, têm aumentado sua influência no processo político e nos moldes do debate público. Portanto, parte da maneira como a crescente desigualdade econômica afeta a democracia é que a participação também ficou mais desigual. Obviamente, sempre tem sido assim, mas isso está aumentando.
A segunda área importante é sobre o que o governo faz e deixa de fazer. Há muitos indícios de que grupos de interesse que são capazes de gastar dinheiro em lobby podem modificar a legislação ou vetar decisões, impedindo o governo de adotar medidas que, digamos, pessoas ricas e empresários não querem. Um dos aspectos interessantes nos EUA é que, num período de desigualdade e crescente insegurança econômica, o governo norte-americano tem feito menos para muitas pessoas na base e no meio da sociedade em comparação com outros países industrializados. Uma das razões pode ser a influência dos grupos de interesse.


Os que apontam para os Estados Unidos como o Eldorado pro resto do mundo tem muito que pensar nisso tudo. Mas a lição pode doer em quem empenhou uma vida à ideologia do laissez-faire.


UPDATE - Meu velho cumpadi e profundo conhecedor de economia Jorge Gomick me mandou este link do Pravda, que vem a provar o que eu disse: quem seguiu o modelito do tio Sam se estrepou, e vem mais e mais se estrepando. É nóis na fita.

27.6.05

Agradecimentos ao Julico "Canabrava" velho de guerra, que me ajudou nessa bagaça aqui. Agora o "Amanhã, Ninguém Sabe" tem contador de acessos lá embaixo na página (duas pessoas entraram aqui desde que o Nedstat foi instalado. Deve ser o blogue menos lido da História, hehe), e em breve novos links. Quem sabe um dia isso aqui não fica com cara de lugar decente?? Valeu Juliiiiiico, Boca de Tatu!!!! É Peixe!!!!! É Peixeeeeeeee!!!!!!....

Sufoco!

Parece que eu só desabafo, né? hehe... Mas preciso falar, ou vou ter um troço. Tem uma coisa sufocante no meu peito, uma angústia, um peso, subindo pela minha garganta, desembocando num grito mudo de desespero, corroendo minhas tripas. Tô deprê, e não é novidade (todo mundo fica assim vez ou outra, vai dizer?) Acontece tanto, que eu já devia ter me acostumado, mas se a gente se acostumasse com tudo não ia querer melhorar as coisas, melhorar o país, fazer bem pra nossa gente que trabalha e merece tanto, num é? Não me acostumo com nada, e nem sempre isso é bom, olha essas lágrimas salgadas no meu teclado, na blusa que minha mãe mandou lá da terrinha, terra boa, o melhor lugar. Acho o cúmulo isso tudo aí ó, a gota d´água, me rebelo, me enfureço. Jana diz que eu rodo a baiana, mas mesmo deprê, eu sou espada!!! Mas falando sério, pessoal, não pode, não pode se deixar abalar. Se rebelar, pintar a cara, ir pra rua, vamos lá, mas se abalar e ficar parado que nem poste, nunca! O que um poste faz? Um poste consegue esses filhos lindos que eu tenho, minha carne, meu sangue (ai, que alegria, Miguelito jogando biriba na Festa Junina da escolinha, por essas coisas que a vida vale a pena, te juro!)... É, Iberê... Sacode a poeira, dá volta por cima, que amanhã tem aula!!! E há muito prá se aprender com toda essa gente, cada um deles!!

26.6.05

peã a la avocado (um poema experimental by Iberê Jatobá)

Tempestades plurisbeltas plurisbeltas

(peã)

Pimba na gorduchinha:
Badauês Cósmicos.

(no litoral, zebras fêmeas blogam debaixo dos coqueiros)

-Moço, dá um trocado??

Canta, São Paulo!...

É engraçado ver nessas pedradas da vida tanta gente sem amor por São Paulo. Gente que acha engraçado chamar esta cidade, minha cidade, sua cidade - cidade-mãe, cidade-avozinha, cidade caboclinha, corcundinha, cansada de tanta labuta - de feia!!!

São Paulo dos imigrantes, acolhendo com amor de mãe os filhos cansados do nosso Brasil! Se é feia, caralho, é por trabalhar demais! São Paulo que é como uma dona de casa hospitaleira, recebendo hóspedes de tudo quanto é canto! Não tem quarto sobrando?! Não tem cama?! Tem problema não! E tóma acolher o japa, o carcamano, o portuga, e dar-lhes o berço querido quando ninguém mais lhes disse um bom dia!

Sampa dos favelados e dos burgueses! Sampa dos anjinhos pretos de cada esquina! Ah, cidade tuiutí do meu coração! Canta, São Paulo dos passos cansados! Canta, São Paulo de Mário, São Paulo de Oswald! Das lutas sindicais, do povo sofrido! Do trabalho intenso e das mãos calejadas!



(Vocês me desculpem o desabafo, mas cansei de ouvir falar que a minha cidade é feia. São Paulo não é feia. São Paulo é linda como uma mãe pretinha preparando feijão pro filho cansado.)

24.6.05

Futiba!


Futebol correndo solto nesse meu Brasil menino

Sou um fã inveterado de futebol desde os oitos anos (ai, saudade!!!), mas também como não ser? Tá no sangue do brasileiro, aquela ginga desvairada de menino travesso com a bola nos pés. É a nossa história, nossa infância de guri chutando tudo, até latinha, na falta de bola, o gol feito de gravetinho encravado no jardim da tia Suzana (como ficava brava a tia Suzana!!). Meus irmãos, meus primos, meus amigos, nos reunimos todos prá ver jogo da seleção e fazer aquela festa. E em ano de copa, então, aguenta coração! E quando ganha, que orgulho de ser brasileiro! Até chorei no penta! Jana me abraçando e pulando, derramando cerveja pra tudo quanto é lado, ai, que folia. Mas eu sinto falta de bom futebol. Verdade é que já tenho muitas luas na costa, e vi todo aquele futebol maroto, traquina, sem essas transações multimilionárias e troca de camisa toda hora, essa coisa "séria", esse "profi$$ionalismo". Falta moleque hoje em dia, que dribla um, dois, três, mete a redonda na rede e ganha de chocolate bonito. Das coisas que eu mais sinto falta, vou te falar...

Deus é um velhinho cheio de cabelo nazoreia

Hoje eu tava pensando na kombi. Vim pra casa mais cedo porque só tinha uma aula de reposição pra dar e o aluno faltou.

Mas eu pensava sobre Deus, e sobre como por coincidência eu tinha ficado ateu também dentro de uma kombi, lá em mil novecentos e lá vai tampinha de garrafa. Me lembro como se eu estivesse lá: Eu estava viajando prá casa do meu tio, com meus pais e minha irmã, já falecida. Aliás, Tábata, minha luz, minha guia, ainda sinto tua mãozinha no meu ombro nas horas em que mais preciso. Teu tufinho de cabelo ainda guardo em meu diário. Tázinha, não é que tu ia me comprando problema com a D. Encrenca? Ela encafifou que o teu cabelo podia ser de alguma amante - eu, com amante!!! RSrsrsrsrs!

A gente tava indo prá Serzedelo Correa de kombi, e no meio do caminho a kombi quebrou e a gente ficou parado duas horas até consertar. Eu tava de férias da escola (a alegria de passar dois meses inteirinhos sem ver uma freira chata, um padre mandão pela frente! Ah!), e queria muito chegar na casa do meu tio pra fazer umas necessidades... Ah, eu era garoto, não me sacaneiem! E meu pai dizia "faz ali no matinho, faz ali no matinho", mas eu tinha vergonha, como tenh at~e hoje, que matinho o quê, vai dizer!! E também tava anoitecendo e eu não queria me afastar muito da kombi... Nossa, como eu era cagão!!

Então eu fiquei na kombi com a minha irmã, cruzando e descruzando as perninhas, dando uns punzinhos de criança que faziam "pip", e - ó só - eu fiquei rezando um monte pra Deus consertar a kombi. Resultado: me caguei. Tive que aturar meu tio reclamando do fedor na kombi; "E isso é colégio de freira! Não 'porquê é a melhor educação que tem'! O Aldir é colégio público mas pelo menos não caga na kombi dos outros!" (O Aldir é meu primo, tem uma fábrica de estofados, gente boníssima o Aldir). Aí, naquela hora, todo cagado, eu pensei comigo mesmo: "Ele nem prestou atenção. Aposto que ele não me escuta..." Daí prá "testar" minha teoria xingando Deus com uns palavrões já cabeludinhos - colégio de freira, né - foi um passo. Me lembro de lembrar da Irmã Cleontina: "Deus vai te dar um choque!" (ela era meio fascinada com energia elétrica, achava que tinha que ser algo meio divino). Mas o que era um peidinho prá quem já tava (literalmente, rsrsrs) cagado? Vai dizer!! Não vai ser um choque pra ninguém se eu disser que espero resposta do Cara Lá de Cima até hoje.

Claro que eu não avancei pro ateísmo só por causa disso. Foi isso e mais as experiências cotidianas de abandono - é, é isso mesmo, de abandono. Pais não abandonam os filhos? Pois então, se Deus existe ele trancou a gente no sótão com uns pacotes de batata frita e foi passar as férias com a amante em Camburiú. Meu ateísmo é simplesmente uma tremenda visão pragmática, que não tem lente corretiva que vá dar jeito, vai me tirar?? É como o cientista americano Carl Sagan disse no livro "Contato" (o livro é beeeem melhor que o filme): "Porquê não colocar uma cruz gigante flutuando em õrbita da Terra, pra erradicar de vez qualquer possibilidade de descrença"? Que Deus é esse, que se recusa a fazer o mínimo de sentido e de esforço tb, pelo jeito hehe? Quando minha irmã morreu não teve Deus que desse jeito. E aí? Não consigo suportar um Deus que não jogue pra galera. Pra mim o ateísmo é a única posição moral honesta. Não pedimos nada além de fatos. Religião é coisa de gente que cresce e não tem peito pra encarar a vida que ser quer vivida, sofrida, ombro a ombro. Daí ficam procurando pais maiores, para continuar obedecendo.

(Tive que parar de digitar um pouquinho porque o Miguel acertou meu cotovelo com uma espada de plástico. Ê guerreiro menino, é de novo que a gente sabe quem vai dar pra luta. Mas bem no nervinho, Miguelito, assim tu me quebra rsrsrsrs)

Bom, eu tinha mais pra falar, mas depois continuo esse post. Vou brincar com o Miguelito no chão um pouco.

Não acreditem em Deus! Abraços!

Não tem prá ninguém

"O que não nos mata nos torna mais fortes." - Rafael Galvão, 23/06/2005.

Quando eu digo que o cara é Mestre...

21.6.05

Pois é, e não é que eu vi o discurso do Lula hoje, enquanto mandava o PF prá dentro?? Na hora me deu um negócio, um nó na garganta. Você ver uma figura histórica, um cara que já deu esporro no Fidel Castro... pô mermão! Tem que ter moral!. Mas enfim, um cara em quem 180 milhões acreditaram, quase chorando, e eu ali mastigando meu ovinho, pensando, já com o nó na garganta entalando tudo, pensando em ligar pra minha jóia morena e desabafar no orelhão mesmo... Aliás eu ando gastando muito cartão telefônico porque o "cebolar", como a Jana fala, é espírita (só recebe hehe). Mas quis desabafar, porque eu tenho história, porque já são trinta e muitos anos de chão, porra, e esse mundo em que eu vivo não podia ser mais diferente do mundo que o Jatobázim, láá atrás, sonhava. Tanto fogo, tanto debate, e no fim... olha, mas é isso viu. O importante é a gente, o importante é a pessoa. Eu ainda tenho muito, perdi tanto pedaço de mim nessas estradas, mas tem coisas que Graças ao Deus-que-não-existe me fazem parar pra refletir quanta sorte eu tenho. Fiquem com a politicada, minha hora é adiante. O Lula ali no palanque pra mim representou bem esse momento de admitir que sonhar não custa nada, como já rezava o samba, mas na hora de fazer, meu amigo... aí é que são elas. Agora, só pra esclarecer:

Eu não sou de esquerda, mas é claro que eu também não vou ser de direita, não é? Quando tentam me tirar prum lado ou pro outro, pô, eu nem falo nada, só rio assim e falo: "Tá achando que eu sou pote de conserva pra vir botar rótulo??" (Até porquê se eu fosse um pote eu não seria de conserva, seria de MUDANÇA né não? Fala sééério...)

Olha, NÃO DÁ pra condensar minha vida assim. Tem muita nuança, muito choro que não é da conta de ninguém, muito aperto, mas também tem muita alegria, e eu vou sentir muito em desapontar vocês, dotores, mas eu sou maior que isso tudo que está aí.

Como dizia o Cândido, do filósofo francês Voltaire, o negócio é "cada um tomar conta do seu jardim". E vamos botar água no feijão!

20.6.05

Upa, rapaz

Vendo estas fotos, bateu uma vontade de estar lá!!! Vai dizer???

16.6.05

Mestre Idelba manda avisar:

É no dia 16 de junho que transcorre a história do livro dos livros, o maior romance do século XX, o enlouquecimento feito livro. Joycianos no mundo inteiro comemoram hoje o Bloomsday. Em Sampa a festa é sempre no Finnegan's Pub, infelizmente já sem o joyciano maior, Haroldo de Campos. Em Belo Horizonte a festa está a cargo do Oficcina Multimedia. Na blogosfera, o Odisséia Literária pilota as comemorações.

Mestre é mestre, não tem discussão. "Enlouquecimento feito livro" é uma das definições mais perfeitas para o romance joyceano que já encontrei em vários anos lidando com essa coisa da palavra. Também a grata menção ao Mestre Haroldo - evoé, Baco!

A conferir, também, o depoimento corajoso do Idelber que precede o trecho citado, com suas opiniões fortes e nuançadas. A política é o espaço das complexidades, não das certezas baratas. Precisamos de comentaristas assim, e aos poucos a blogoseira tupiniquim vai se firmando como o terreno preferencial da discussão política inteligente.

15.6.05

Durma com um barulho desses

Prá vocês terem uma idéia. Minha rotina inclui acordar às cinco e quinze da madruga, porque ao longo do dia dou aula em dois colégios e prá dois alunos particulares, em pontos diferentes da cidade. Com tudo isso, correndo como um louco por todos os bairros de Sampa, mal e mal consigo sustentar minha família, mulher e dois filhos, num prédio de classe média-baixa em Interlagos. Como dizem os yankees, get the picture?

Vida de professor, notoriamente, não é mole não, e enquanto não voltar a dar aula em cursinho (o que planejo fazer no segundo semestre) as coisas não vão ficar fáceis. Mas isso tudo prá dizer o seguinte:

Estava o cidadão aqui dormindo o sono dos justos, quatro da matina, quando o vizinho de baixo começa a ouvir funk no último volume. Nada tenho contra esse gênero não (ainda escrevo sobre isso) - embora não seja bem "a minha praia", esse gênero de música - tão caluniado por uma imprensa massissamente de classe média e classe média-alta - é autenticamente popular, e como tal tem que ser respeitado. Quanto à imprensa, mais do que desgostar desse tipo de música por motivos estéticos, tenho sempre a impressão de que eles se sentem ofendidos com a simples possibilidade de que pobres se divirtam, e ponto final. ("Olha! Pobre dançando! Meus sais!")

Mas fala sério, né? ERAM QUATRO DE LA MATINA, neguinho aqui só tinha mais uma hora de sono, e o vizinho lá (filhinho-de-papai, desocupado full-time) ouvindo funk E RINDO! Estava pendurado na janela, repetindo a letra - bem obscena, e a qualquer outra hora do dia eu teria considerado a letra engraçada - "Goza na minha boca, cadelão!" - mas não ÀS QUATRO DA MANHÃ, PORRA!!!!!!

Resultado do samba: um dia inteiro balançando de sono. Agora chego em casa e descubro NÃO SÓ QUE PERDI O SONO COMPLETAMENTE, mas que também vou ter que ficar acordado até às onze pra pegar a patroa na escola.

Desculpem o desabafo, mas esse é o retrato da vida de um professor - e não é fácil, não é fácil. Por isso sempre digo quando me perguntam sobre a carreira de professor: só seja professor se a sua alma depender disso. Só à base de muita paixão.

Coração Enamorado Não Sabe Onde Vai Parar

... era o título do livro que eu lia bem criança na casa da tia Chica, descalço na varanda, comendo as jabuticabas que a tia vinha me trazer, fiel, numa travessa.

... é também a verdade que eu queria te dizer neste Domingo, que é a verdade de sempre, desde que te conheci.

... por ti, sempre por ti, Moça dos Olhos de Menina.

O Jesus em que eu (quase) acredito

Fui criado em colégio católico e como consequência (pergunta prá quem passou pela experiência) perdi qualquer resquício de fé que pudesse ter bem cedo, aos 11 anos.

Espanto sempre de ver quem acredita naquilo que aos 11 anos já achava absurdo. Adultos, homens barbados.

Seguinte: eu seria capaz de acreditar (no melhor do melhor dos dias) num Jesus feito homem, feito todo ele pequeno, esperança e contradição.

Eu seria capaz de acreditar num Jesus histórico, datas de nascimento e morte precisas como as minhas, como as suas, como o pobre que morre na fila do hospital onde não encontrou vaga, onde não encontrou amor.

Um Jesus todo ele serelepe, todo ele maroto, brincando na rua com os filhos de Caifás.

Um Jesus que brincasse de telefone-sem-fio, que subisse nas jabiticabeiras, rindo descalço, chapinhando nas poçinhas d'água de Jerusalém não como um deus, mas como um menino.

Um Jesus que não julgasse ninguém, que fosse feito todo ele de tolerância, de humanidade, de perdão e um pouquinho de malandragem (que ninguém é de ferro).

Esse é o Jesus da história. Esse, o Jesus que existiu. Nesse Jesus, eu acredito. Nesse deus que é só um homem, um bom homem, com sede de justiça e amor, eu poderia acreditar.

Mas quanto mais vejo uma certa direita pregando um Jesus feito a sua imagem e semelhança, um Jesus feito de intolerância, todo ele feito de julgamento e severidade, menos acredito em coisa alguma.

O deus devidamente horizontalizado, o deus completamente humanizado pelas suas próprias fraquezas e pelo seu próprio infinito amor: eis o deus em que eu talvez acreditasse!...

Mas no deus dessa gente, não. A melhor parte de mim é esta: que se recusa a acreditar! E quanto mais falam, quanto mais pregam, mais me fazem desacreditar!

14.6.05

No hay tesoro na tierra que me pague




Janaína e a pequena Marina, preocupada com o nosso futíba depois da derrota pros nossos "hermanos"... Depois eu posto a foto do nosso mais velho, Dom Miguelito.

Este "webblog" nasce do sufoco - da frustração de quem vê ruir duas décadas de sonho. Para quem como eu esteve presente durante todo o sonho da esperança, só nos resta analisar o acidente que já houve, os mortos que ficaram pra trás. Os companheiros de percurso que deixaram muitas e boas lembranças. É limpar o parabrisa e parar de choradeira: a vida não espera.

Mas nasce também da alegria de quem soube se cultivar eterno menino. No momento escrevo com meus filhos brincando aos meus pés - não há alegria maior, aqui na terra como no céu. Entre a coisa pública e a brincadeira no sossego do lar, fico com meus filhos de pézinhos sujos, num eterno brincar de moleque sabido.

É dada a largada. Com vocês, o "Amanhã, Ninguém Sabe".